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Os Krenak

Eram chamados de Aimoré pelos Tupi e Botocudo pelos portugueses no século XVIII. Se autodenominavam Grén ou Krén. Hoje se identificam como Borun, essência do ser, os Borun do Watu. Para a sociedade brasileira eles são os Krenak, últimos sobreviventes da nação “Botocudo”.

As primeiras notícias sobre os Krenak remontam ao século XVI. Seu território original era a Mata Atlântica no Baixo Recôncavo Baiano. No século XIX deslocaram-se para o sul, atingindo o rio Doce em Minas Gerais e Espírito Santo.

Foram várias as tentativas de catequização e “pacificação” para que os Krenak desocupassem as margens do rio Doce. Tornaram-se incômodos em seu próprio território cobiçado para exploração. Porque resistiram foram vítimas da “Guerra Justa”. Com a construção da estrada de ferro Vitória-Minas no final do século XIX e início do XX, foram pressionados a abandonar as terras do Vale do rio Doce.

Por volta de 1911 os Krenak foram agrupados pelo Serviço de Proteção aos Índios (SPI) em uma área próxima a Resplendor. Dois Postos de atração foram criados, o de Pancas e o Guido Marliére, atual aldeia Krenak. Dessa forma, suas terras estavam liberadas para a expansão econômica.

Em 1920, o governo de Minas Gerais destina uma parte do território original Krenak a eles mesmos. A demarcação foi em 1923, após o massacre dos Kuparak um grupo “Botocudo”. Os quatro mil hectares doados continuavam sob a cobiça de não índios. Para dimensionar, estima-se que no início do século XX havia 5 mil  Krenak e na década de 1920 eram 600.

Em 1953 foram transferidos para o Posto dos Maxacali ou deslocaram-se para outros lugares. De retorno ao Posto Indígena Guido Marliére, o PI Krenak, em 1959, encontraram suas terras ocupadas pela Polícia Florestal e fazendeiros.

Em 1970 inicia a reintegração da posse das terras Krenak. Apesar de seus direitos definidos pela Justiça, em 1973 eles são transferidos para a Fazenda Guarani em Carmésia. Muitos saíram algemados de seu território original e foram tratados como infratores e desajustados sociais. Na década de 1980, ajudados por indigenistas, voltaram para suas terras ocupando apenas 44 hectares daquilo que o Governo lhes doou em 1920.

Hoje, vivem numa área reduzida reconquistada com grandes dificuldades em Minas Gerais, Mato Grosso e São Paulo.

Os Krenak eram falantes de uma mesma língua, apesar das significativas variações dialetais que serviam para demarcar diferenças entre os diversos grupos nos quais se compunham. Os Krenak pertencem ao grupo lingüístico Macro-Jê, falando uma língua denominada Borun. Por isso, entre eles, são denominados de Borun e os Borun do Watu são os Krenak de Resplendor, MG.

Em decorrência de sua história de dispersões, estão presentes em diversas áreas indígenas, porém um dos grupos mais importantes está em Arco-Íris (SP), onde coabitam com os Kaingang a Terra Indígena Vanuíre.

Para saber mais

Enciclopédia dos Povos Indígenas. Instituto Socioambiental. http://pib.socioambiental.org/pt/povo/krenak